AO ENCONTRO DA EXTREMADURA,
TERRA DE CONQUISTADORES
REGRESSO À NOSSA AMADA GALLAECIA - EPÍLOGO
(05.abril.2024)

VIAGEM DE REGRESSO À NOSSA AMADA GALLAECIA
Faz hoje exatamente quatro meses que demos início ao conjunto de posts/crónicas que falaram sobre a viagem que, conjuntamente com as amigas Mariza e Délia e o amigo Pablo, levámos a cabo as terras da Extremadura espanhola.
Faz também precisamente dois anos que demos inicio a essa viagem e, ao cabo desses dois anos, hoje, damos por findos os nossos posts/reportagens ou crónicas, como melhorem entenderem.
Depois da visita à cidade romana de Cáparra, nossa viagem até a nossa amada Gallaecia fez-se com uma dupla saudade: a do nosso lar e a das terras que deixávamos para trás - nosso coração dividido.
Até que entrámos na Comunidade de Castela e Leão, não parávamos de falar e meditar sobre esta Extremadura, até então, região por nós desconhecida.
Íamos à procura da exuberância floral do Vale de Jerte, com as suas cerejeiras floridas, nesta época do ano, e viemos cheios de conhecimento de uma comunidade rica de homens, história, cultura e paisagens.
Pelo caminho, já em plena Castela e Leão, fizemos uma paragem técnica na barragem do Ricobayo,

tendo, a nossa frente, La Encomienda.

Satisfeitas as nossas necessidades,

num monte repleto de estevas

floridas,

continuámos viagem até à província de Zamora, município de Tábara.
Na Área Recreativa de La Folguera parámos para merendarmos.

Sítio agradável para se estar, confraternizar e, naturalmente, merendar.

Pelos placares de informação, inteirámo-nos que estamos em plena serra de la Culebra, zona rica de caça

e que, por estas bandas, podem-se efetuar muitos percursos pedestres.

Mas o que mais nos impressionou foi o incêndio que alastrou por esta serra. Pelos vistos, a indignação popular foi grande,

apesar de não concordamos com a devassa dos placares.
Não existem palavras para descrever tamanha desolação

que um incêndio recente aqui provocou.

Enfim… infelizmente não somos muito diligentes em cuidar da nossa mãe natureza, nosso nicho de vida!
Foi, depois, num instante, que chegávamos a penates.
AO ENCONTRO DA EXTREMADURA, TERRA DE CONQUISTADORES -EPÍLOGO
A Extremadura é uma terra onde o tempo não se limita a suceder: instala-se. Cada cidade, cada vale, cada pedra parece guardar uma dignidade antiga, como se o passado aqui tivesse decidido permanecer de pé. Em Hervás, o antigo bairro judeu conserva a memória de uma convivência que marcou a Península e cuja ausência ainda hoje ressoa. Em Plasencia, as duas catedrais — uma concluída, outra suspensa — erguem-se como testemunho da ambição espiritual e política de uma cidade que sempre se quis centro e charneira.
Mais adiante, Yuste impõe-se com a gravidade dos lugares decisivos. Ali, Carlos I, senhor de impérios e de destinos, procurou recolher-se à sombra dos castanheiros e ao murmúrio das águas, como se apenas naquele silêncio pudesse reconciliar a vastidão do mundo com a inquietação da alma. O mosteiro permanece como um dos raros sítios onde a História parece deter a respiração.
Trujillo e Cáceres, por sua vez, afirmam-se como cidades que não precisam de proclamar a sua grandeza: basta-lhes existir. As suas praças, torres e palácios guardam a memória de linhagens que partiram para além do Atlântico e regressaram apenas na forma de brasões, de pedra trabalhada, de narrativas que o tempo não conseguiu apagar. São cidades que se erguem como capítulos inteiros da história peninsular.
E antes de tudo isto — antes das catedrais, dos alcázares, dos mosteiros e das praças — já existia Cáparra. O arco romano, solitário e íntegro, não é apenas vestígio: é fundamento. Marca o ponto onde a Via da Prata unia o norte e o sul da Hispânia, onde povos se cruzavam muito antes de haver reinos, conquistas ou impérios ultramarinos. Cáparra recorda que a Extremadura é, desde a sua origem, território de passagem e de permanência, de fronteira e de encontro.
Percorrer esta terra é compreender que a sua identidade nasce precisamente desta sobreposição de tempos. Hervás traz a memória da convivência; Plasencia, a ambição urbana; Yuste, a introspecção imperial; Trujillo e Cáceres, a projeção atlântica; Cáparra, a antiguidade que sustém todas as outras narrativas. É desta estratificação que emerge a grandeza extremenha: austera, luminosa, silenciosa, profundamente fiel a si mesma.
A Extremadura é, assim, uma terra de conquista — mas não apenas de territórios distantes. É também a terra que conquista quem a percorre.
Entre a natureza e a pedra, entre o império e o recolhimento, entre o tempo vivido e o tempo construído, revela-se um sistema coerente de forças e significados.
Ao concluir estas crónicas, não se encerra uma viagem: consagra-se uma compreensão. A Extremadura não se oferece de imediato; exige atenção, respeito, demora. E quando finalmente se revela, fá-lo com a solenidade das terras que sabem que o essencial não se mostra, impõe-se.
Este epílogo fecha o percurso, mas não o destino. A Extremadura, terra de conquistadores, permanece como um território que continua a chamar — não pela epopeia, mas pela permanência. E deixa no viajante a certeza de que o regresso não é apenas possível: é necessário.
